terça-feira, janeiro 23, 2007

A mãe olhou e disse: "esse é doido de pedra!"

Hoje*, como bom navegador cibernético que sou, estava fazendo meu velejo diário, nas ondas da informação. Deparei-me com uma campanha da TIM veiculada em abril de 2006, postada no brainstorm #9, composta por três filmes de um minuto, onde surfistas falam sobre aquilo que mais amam: o surf. Na campanha, a TIM procura estimular o consumidor sobre como usar a tecnologia a favor da humanidade, com a seguinte assinatura: “Use a nossa tecnologia pra viver melhor”. Tudo muito bem elaborado, conceito amarradinho, redondo. Mas, o que me chama a atenção mesmo, é o conteúdo dos depoimentos.

Kelly Slater (aquele mesmo, que comia a Gisele) fala sobre a saturação da tecnologia, trazendo facilidades pra nossa vida e, ao mesmo tempo, nos distanciando do mundo em que nascemos, originalmente. O mundo onde as relações humanas se definem no toque (não aqueles polifônicos), na entonação das palavras ditas olho no olho, não em mensagens SMS e neologismos internéticos. Fala também que é preciso encontrar um ponto de equilíbrio e o surf, para ele, é quase que espiritual, uma forma de saber se está conectado ao mundo. Troque-se a palavra “surf” por “escalada” e teremos o meu depoimento, cagado e cuspido.



No segundo filme, Arduino Colasanti, um dos primeiros surfistas brasileiros, diz o seguinte:



“O entrosamento com a natureza te dá o entendimento do tempo. Esperar uma onda por vinte minutos, pode valer a pena. É a paz do mar, da eternidade das ondas que vão continuar batendo, mesmo quando a humanidade acabar. Você desfruta da percepção, do conhecimento das ondas, do vento, da lua. A maioria das pessoas não pensa em que lua estamos agora. Eu sei.”

Troque-se a sensação de esperar vinte minutos por uma onda, pela sensação de esperar quarenta minutos no meio da rocha, a muitos metros de altura, até que toda a cordada se reúna, pra começar tudo de novo na próxima enfiada, mesmo com sol na moleira e a sapatilha deixando seu pé formigando de tão apertada. Troque-se também a paz e o conhecimento do mar pela tranqüilidade de estar num lugar onde os e-mails, os jobs e os briefings não te alcançam. Um lugar que também perpetuará quando a humanidade tiver ido embora. E que te trará conhecimento através do respeito e da integração à natureza. Ali você é só uma insignificante parte de um todo que se auto-organiza, torna-se belo e perfeito, mesmo depois do aparente caos que parece ter formado o lugar, com as tempestades, os terremotos e os vulcões. E sim, eu sei em que lua estamos. Faça-se isso e teremos, mais uma vez, o meu depoimento.

Finalmente, temos o depoimento do Pedro Muller, professor de surf:



“No meu caso, o que me deixa mais feliz é quando as coisas estão em paz. Independente do mar estar bom, meus amigos, minha relação com família, quando está tudo em paz, no meu universo, é o que eu mais quero.É difícil a gente querer isso para o mundo, mas se no meu espaço eu conseguir isso, já é muito bom.É a minha realização”

Troque-se, mais uma vez, a indiferença do surfista em relação ao tempo estar bom ou ruim. É a mesma coisa que sinto quando viajo pra escalar, não me importando se vai chover ou não. O simples fato de estar lá, já me deixa em paz. É a minha realização.

*Postado originalmente em
08/12/06, aqui.

Por falar nisso, a seca tá é grande na região do calabouço:


1 Comments:

Blogger @igorgomesTWT said...

Pow negão, conseguisse falar tudo q um aventureiro sente no seu "habitat natural", ou seja, o mato! Fazia tempo q eu tava precisando de uma escaladinha igual ao desse fds! daki a 15 dias tem mais hehehehehehh!!!

2:58 AM  

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